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Sobre o que falam as mulheres, fontes dos telejornais de Brasil e Portugal, no dia 08 de março, dia internacional de luta das mulheres

O Dia 08 de março foi considerado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como dia Internacional da Mulher, em 1975, porém esta data tem sido caracterizada como dia de luta por igualdade, marcada pela Marcha Internacional das Mulheres, manifestação realizada em países como Brasil e Portugal, focos desta pesquisa. As edições de telejornais do dia 08 de março, por ser esta data considerada como celebrativa para as mulheres, investem parte do tempo das reportagens para tratar de assuntos ligados ao universo feminino. Este artigo quer investigar quem são e sobre o que falam as mulheres fontes de telejornais no dia Internacional de Lutas das Mulheres. A hipótese desta pesquisa é de que a maioria das fontes femininas são exibidas em reportagens que tratam de duas principais situações: 1) violência contra mulheres e 2) desigualdade de gênero.

As teorias de gênero fundamentam esta pesquisa a partir de autoras como (Spivak, 2010) que afirma existir no mundo um sujeito homogêneo e monolítico que fala pelas mulheres. “Se, no contexto da produção colonial, o sujeito subalterno não tem história e não pode falar, o sujeito subalterno feminino está ainda mais profundamente na obscuridade”.

Esta análise comparativa vai quantificar os assuntos tratados nas edições do Jornal Nacional (Brasil) e do Jornal das Oito (Portugal) no dia 08 de março de 2019. Os dois veículos foram escolhidos por serem os de maior audiência nos países à época do início da coleta de dados. A quantificação das fontes é realizada a partir do conceito de frequência/ausência conforme Bardin (1977).

Como resultados, inicialmente, foi possível perceber que das 60 fontes entrevistadas no Jornal das Oito (Portugal) 33 eram mulheres e 27 homens, já no Jornal Nacional (Brasil) das 39 pessoas entrevistadas, 20 eram mulheres e 19 homens. As fontes femininas tiveram suas falas exibidas durante 28min19seg do Jornal das Oito, enquanto as masculinas em 10min03seg. No Jornal Nacional, a soma da fala das mulheres durante as reportagens chegou a 5min58seg, tempo igual ao dos homens.

Do ponto de vista do protagonismo das fontes, em Portugal, houve mais protagonistas masculinos e no Brasil, mais protagonistas femininas. Os assuntos mais tratados estão relacionados da seguinte maneira: Jornal das oito: 1º Marcha do 08 de março, 2º Violência contra a mulher, 3º Assuntos relacionados à Política em Geral. No Jornal Nacional: Violência contra a mulher, 2º Assuntos relacionados à Política em Geral, 3º Desigualdade Social.

As conclusões que se pode tirar desta análise, que serve como teste de metodologia, é que mesmo no dia 08 de março, quando boa parte das notícias trata de assuntos ligados às mulheres, o número de fontes femininas é praticamente igual ao de fontes masculinas: 53% em Portugal, 51% no Brasil. Numa data em que mais mulheres são ouvidas, ainda é muito tímido o movimento de dar voz e visibilidade às mulheres. A hipótese de que neste dia os dois assuntos mais tratados seriam violência contra mulheres e desigualdade de gênero confirmou-se parcialmente, apenas com relação ao primeiro assunto.

Sandra Nodari
Universidade Fernando Pessoa, Universidade Federal do Paraná e Universidade Positivo
Brasil

Emerson Cervi
Universidade Federal do Paraná
Brasil

 

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