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A mídia informativa em sua plataforma Instagram confrontada à questão feminina no cenário jornalístico contemporâneo: Folha de S. Paulo, El País Brasil, BBC Brasil, HuffPost Brasil

O presente artigo resulta de pesquisa em andamento sobre o jornalismo na era do digital, neste caso específico voltado à análise da representação sociodiscursiva da mulher, e por extensão da condição feminina, na plataforma Instagram de diferentes jornais, escolhidos em função de alguns critérios: Folha de S. Paulo, um dos jornais de maior alcance no Brasil, El País Brasil, pela relevância do jornal original na Espanha e a existência de uma ramificação no nosso país, BBC Brasil, igualmente pela sua importância no circuito de informações e desdobramento de um periódico de língua inglesa em versão nacional, por fim, HuffPost Brasil, pelas mesmas condições, mas justificado particularmente pelo fato de, em sua versão brasileira, ter criado uma rubrica especial para a pauta "mulher" em sua agenda diária. A condição feminina tem sido abordada em duas vertentes articuladas, embora distintas, nas análises empreendidas, explorando o tensionamento entre as ações voltadas ao empoderamento da mulher (para além de questões de gênero) e práticas contrárias que apontam o recrudescimento dos casos de violência contra a mulher, inclusive pelo número crescente de feminicídios em um contexto também paradoxal de desembocadura de um histórico democrático nas últimas décadas, após o fim do regime militar no Brasil, e a ascendente investidura em valores e práticas retrógradas no cenário nacional contemporâneo. A hipótese é que em face dessa situação os jornais acabam expondo seus perfis identitários, mais opinativos, combativos ou de pressuposta objetividade diante dos fatos, refletindo na discussão da mulher as contradições que os permeiam diante de todos os conflitos em que o debate da subjetividade política deveria ser condição necessária de sua responsabilidade social. A escolha da plataforma Instagram justifica-se pelo incremento de seu uso, sobretudo por gerações mais novas, e pela condicionante de que sua narratividade está amparada fundamentalmente em imagens, recorte de nossa pesquisa. Para a análise, o recorte se efetua sobre dias e semanas alternados dos meses que vão de novembro de 2018 e novembro de 2019, mês no qual se comemora o “Dia internacional de combate à violência contra a mulher". Com isso, a metodologia de abordagem dos empíricos consegue cobrir intervalos de tempo em que o tema torne-se agenda obrigatória ou facultativa, neste caso pontuada por momentos em que casos específicos, como os de feminicídio, acionam a agenda jornalística para o foco. O protagonismo feminino tem se revelado nas suas postagens, assim como uma diversidade de perspectivas que vão de uma maior concretude e individualidade de casos à abstração cada vez mais recorrente da figura feminina em traços generalizados, quando não estereotipados, do que é a mulher. Categorias discursivas como tematização e figurativização, modos de enunciação e suas implicações interacionais, além de análise das materialidades, quando sua plasticidade agrega valores pertinentes à informação, permitem distinguir os tipos de protagonismo feminino agenciados pelos diferentes jornais, o que permite traçar perfis do fazer jornalístico diante de situações de dissensão ou consensualidade dos atores sociais.

Kati Caetano
Universidade Tuiuti do Paraná
Brasil

Zaclis Veiga
Universidade Positivo
Brasil

 

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