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AE-IC Santiago 2008
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Comunicaciones
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Estudios sobre el discurso
Mesa 4.15. Estudios sobre el discurso 15: Historia de la comunicación en España e Iberoamérica
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Sousa, Jorge Pedro-
 
Em busca do primeiro jornal português: As "Relações" de Manuel Severim de Faria e a "Gazeta" "da Restauração"
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Este trabalho, baseado em pesquisas conduzidas pelo autor, pretende resgatar o contributo das Relações de Manuel Severim de Faria (1626 – 1628) e da Gazeta “da Restauração” (1641 – 1647) para o surgimento da ideia de periodismo em Portugal e nos territórios colonizados por portugueses. Para esta investigação, usaram-se dois métodos: a descrição formal e a análise quantitativa e qualitativa do discurso. Entre as principais conclusões, pode dizer-se que se nota uma evolução das Relações para a Gazeta, já que nesta última o design se afasta mais decididamente do dos livros (o frontispício, por exemplo, desaparece). No que respeita ao conteúdo, também se nota uma evolução, pois enquanto as Relações eram cartas novas, característica bem vincada pelo seu início e final serem redigidos em forma de carta, a Gazeta já era, decididamente, um jornal, dirigido ao público em geral. Noutros aspectos dos conteúdos, há algumas semelhanças. Apesar das Relações não serem periódicas, antes constituindo uma espécie de anuários de intenção simultaneamente historiográfica e jornalística, enquanto a Gazeta era um jornal periódico, ambas as publicações eram predominantemente noticiosas (96% dos conteúdos da Gazeta e 100% dos conteúdos das Relações são notícias) e ambas incluíam abundante informação internacional (40% nas Relações e 82% na Gazeta). A elevada percentagem de notícias internacionais da Gazeta, que faz esta publicação diferir das Relações, deve-se ao facto de, em 1642, em plena Guerra da Restauração da Independência, ter sido proibida a circulação de jornais com notícias do Reino, em Portugal. Por outro lado, por força da diferente conjuntura histórica que ambas as publicações enfrentaram, a Gazeta dá significativamente mais notícias sobre “vida militar e acontecimentos bélicos” (49%) do que as Relações (36%). Os restantes conteúdos de ambas as publicações são relativamente semelhantes entre si e estruturalmente semelhantes aos que encontraríamos num jornal actual, o que evidencia a natureza profundamente cultural dos critérios de noticiabilidade: 23% das notícias das Relações são sobre “vida política e administrativa” (24% na Gazeta); 29% sobre “vida social e religiosa” (9% na Gazeta); 3% sobre economia (percentagem igual na Gazeta). Os acontecimentos negativos ou estranhos não merecem muito destaque em nenhuma das publicações: 7% de notícias sobre acidentes e catástrofes naturais nas Relações (3% na Gazeta); 1% de notícias sobre doenças e fome nas Relações (3% na Gazeta); 1% de notícias sobre acontecimentos insólitos nas Relações (2% na Gazeta). Apenas a Gazeta traz notícias de crimes (2%).
Nota-se, finalmente, que apesar de durante o período de publicação das Relações Portugal e Espanha terem tido o mesmo Rei, a identidade portuguesa é sempre bem vincada no discurso (nós vs. eles), ainda que a narração releve, igualmente, a aliança entre as armas de Portugal e de Espanha.
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AE-IC Santiago 2008
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Congreso internacional fundacional AE-IC I+C Investigar la Comunicación | Actas y memoria final
ISBN: 978-84-612-3816-3
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