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Comunicacións |
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Estudos sobre o discurso |
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| Pinto, Mário- |
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Discurso dos Media: entre o Contributo para a Renovação do Léxico e a Elisão de Peculiaridades Existentes
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Se existe marca que de forma indelével caracteriza a sociedade hodierna é a exigência de conhecimento e de informação, o que consubstancia um repto eminentemente social e cultural. Trata-se de uma sociedade do primado do saber, componente fundamental do desenvolvimento. E que ao transformar em capital o conhecimento é dotada de enorme potencial para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e das suas práticas culturais. O que tem a ver com o conceito de cidadania. E entre os direitos que ao indivíduo assistem, destaque para o de ser/estar informado, prerrogativa inviabilizada por patologias várias do discurso jornalístico. Porque conquanto se trate de uma sociedade com as idiossincrasias da descrita, as novas tecnologias da informação ao propenderem para a globalização acarretam a perda de identidade, decorrente, no caso do idioma, da elisão de peculiaridades que conduzem ao seu inexorável desvirtuamento. Devia, por isso, competir aos media assumirem uma função crucial na defesa da pureza do idioma, quer através da aposta na preservação dessas especificidades quer da adopção de estratégias a ela conducentes. E, no essencial, porque passando a construção da cidadania pela defesa da língua materna, descaracterizar esta constitui o mais sério obstáculo ao incremento daquela. Ora, é na função que aos media incumbe que entronca o seu contributo para a cidadania, o qual nos propomos disseccionar de dois ângulos opostos.
I. No que à proficuidade concerne, é irrefragável o aporte positivo que os media podem desempenhar, desde que usados como arquétipo de rigor, enquanto suporte privilegiado para a manutenção em uso de certos vocábulos ou para a reposição de outros já em desuso. O que não esgota aquela dimensão formativa: mais profícuo ainda pode revelar-se o seu emprego como veículo de criação de novos vocábulos e sua introdução no léxico quotidiano.
II. Entre as ‘reposições’ e as ‘criações’, situa-se toda uma panóplia de palavras amiúde usadas da forma menos curial em contextos que o seu significado não permite.
III. Entre os perniciosos situaríamos os aportes conducentes à morte inexorável de construções e usos peculiares do nosso idioma, tais como: 1. O emprego do infinitivo pessoal (flexionado) reiteradamente substituído pelo impessoal. 2. O uso de certos particípios regulares, inquestionavelmente mais explícitos que os irregulares. 3. As construções formadas a partir do verbo ‘pôr’, tornado residual pela omnipresença do verbo ‘colocar’. Consequência desta propensão para o afunilamento do leque das opções possíveis é o depauperamento do léxico.
Ilação irrefutável do explanado é não conseguir o leitor inteligir estas notícias (nem ficar informado), culpa só imputável a quem não procedeu à triagem do vocabulário a usar, daí resultando adulterações que nada têm de anódino: são antes a marca de um discurso veiculado numa linguagem crioula (produto de miscigenações diversas). As vítimas (inermes) de semelhante prática são os leitores. Ora, dada a centralidade ocupada pelos media como agentes da vida social e cultural, as consequências de semelhante desempenho, na formação dos cidadãos, de tão nefastas só podem ser encaradas com justificada apreensão. |
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